A importância de um esboço à mão para o designer

Há algum tempo participei de uma oficina bimestral sobre Tipografia Experimental.

Com as práticas exercitadas durante as etapas da oficina eu comecei a perceber o quanto eu tava ligado no piloto automático. Eu não sabia mais o que era um esboço a lápis. Pegar um folha branca e brincar. Testar, errar, apagar. Começar de novo. Criar ideias. A facilidade da tecnologia e o avanço dos softwares de vetorização acabaram me deixando mais preguiçoso. Não sei se essa seria a palavra adequada. Acho que é menos arriscado dizer “bitolado”. Me dei por conta que eu não tinha esboços. Não usava lápis há séculos. Brainstorms, rascunhos, projeções, sempre feitos em um grid dos próprios programas. Nesta oficina eu tive que fazer intervenções em fontes serifadas clássicas e no final criar um cartaz. E foi tudo feito à mão. Então percebi o quanto esta técnica de projetar a ideia em um papel era valiosa e o quanto eu perdia de estimular meu cérebro a cada novo projeto que iniciava diretamente no software.

Então, na semana seguinte, eu precisei criar uma peça publicitária para uma revista inglesa que a agência que trabalho já anuncia mensalmente. Já estava ligando no automático e abrindo o Illustrator, e então percebi que estava faltando algo. Fui atrás dos meus materiais – ainda guardados na pasta da oficina – e me permiti brincar sem cobranças. O início foi meio catastrófico: duas folhas amassadas, a frustração chegando e o programa me chamando. Então peguei uma folha nova e esbocei mais alguns riscos. Alguns títulos de destaque, caixas de texto, e então tudo começou a fluir. Com a ideia pronta eu ainda não voltei pro computador. Peguei outra folha e ilustrei mais uma segunda ideia que estava borbulhando. Resultado: em menos de uma hora eu tinha 3 ideias interessantes que sem dúvida não teria se não tivesse praticado no papel.

Então no final do dia, depois de levá-las em prática, de criar o anúncio, de ser aprovado e de enviar para a revista, eu comecei a refletir a respeito e cheguei a conclusão que não é o cérebro que trabalha melhor com uma técnica ou outra, e sim a mobilidade que uma folha branca e um lápis tem em comparação com um clique do mouse. Percebi que eu nunca via um gráfico na tela como esboço e sim sempre como arte final. Então não conseguia ir além do esperado.

Não digo que tudo mudou, pois a correria e demanda diária nos força a ser bitolados e práticos. Mas tenho tentado me reeducar sempre que possível e trabalho com uma boa quantidade de papéis à minha volta agora. Valeu à pena!

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